Deflação: O que é; Como afeta a economia

O IPCA, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, de julho foi de -0,68%, comparado com +0,67% de junho. Foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980. No ano, o IPCA acumula alta de 4,77% e, nos últimos 12 meses, de 10,07%. Em julho de 2021, a variação havia sido de +0,96%.

Essa queda do IPCA se chama de deflação e é uma inflação negativa, o que sinaliza que alguns preços, em média, baixaram. No caso atual, de julho de 2022, quem mais contribuiu para a deflação foram os grupos de Combustíveis e de Energia Elétrica (embora outros grupos continuaram em processo de alta, como por exemplo o grupo de Alimentação e o de Bebidas).

Muitos economistas entretanto não dizem que estação em deflação apenas se acontecer por um ou dois meses. A tendência se coloca mais firme se essa situação demorar por pelo menos 3 meses.

A notícia em si é boa para o bolso do consumidor que se mantiver empregado, já que nos últimos 12 meses corridos o acumulado chegou aos 10,02%, e se considerarmos apenas o ano atual a inflação tenha ficado em 4,77%.

A deflação ocorre quando a oferta de produtos e serviços é maior do que a demanda. Há mais itens à venda do que as pessoas estão dispostas a – ou têm condições de – comprar.

Pode acontecer também quando há redução do volume de dinheiro em circulação. Menos moeda na praça resulta em compras menores e, consequentemente, diminuição de preços.

Há riscos na deflação?

No momento atual da economia brasileira a deflação pode ser considerada boa, pois dá um alívio para os consumidores, melhorando seu poder de compra e – em princípio – estimula o consumo.

A deflação só se torna um risco para um país se ela durar muito tempo, pois nessa situação provocará um efeito contrário bem perverso, seguindo o ciclo abaixo:

Indústrias diminuem sua produção
»»» o desemprego acelera mais
»»» e a economia vai parando

Com esse ciclo vicioso continuando, mais demissões acontecem, o consumo se reduz drasticamente e as indústrias cortam mais ainda a produção, num efeito dominó, que pode alcançar a estagflação, onde o país para mas a inflação volta a subir para que se reponham um pouco os preços das coisas e dos serviços.

A própria visão do consumidor de que no próximo mês os preços cairão ainda mais o normal é ele segurar seus impulsos de comprar, e repetindo-se por alguns meses, ampliará essa postergação das compras, o que significará maior desemprego, menos dinheiro circulando, novamente num ciclo vicioso.

Mas então, a Inflação é boa?

Na verdade o ideal é se ter uma pequena inflação, que fique razoavelmente estável, embora positiva. Um valor ideal em geral é aceito entre 1 e 3% ao ano.

Como a Deflação é calculada?

A deflação é calculada da mesma forma que a inflação. No Brasil, há diversos índices que medem as variações de preços. O principal deles é o IPCA, divulgado mensalmente pelo IBGE.

É com base no IPCA que o Banco Central define a política monetária. No País, adota-se o regime de metas de inflação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) define uma meta de IPCA a ser perseguida. Pra atingi-la, o BC, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), aumenta ou reduz a taxa básica de juros, a Selic.

Para calcular o IPCA, o IBGE mede o custo de uma cesta de itens que reflete os padrões de consumo de famílias brasileiras com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

Essa cesta contém produtos e serviços de alimentação, habitação, vestuário, transportes, saúde, despesas pessoais, educação e comunicação. Há uma ponderação nestes grupos; uns têm peso maior no indicador do que outros, dependendo de sua importância no consumo das famílias dessa faixa de renda.

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